Me apresentei no quartel

É meus caros amigos, a quanto tempo né?

Meu último post aqui foi a exatamente dois meses atrás sobre o meu clipe lindo (que aliás, se você não viu ainda, veja no último post). E pode ter certeza de que muita coisa aconteceu durante esses dois meses. Uma dessas coisas vou contar agora.

Eu tava marcado pra me apresentar no quartel no dia 23 de setembro, seis dias antes do meu aniversário. Antes do dia de ir lá eu me informei bastante com todos os meus amigos que já tinham ido sobre todas as dúvidas que eu tinha, e acreditem, eram enormes. Mas eu admito, eu tava me cagando de medo de dar merda lá na hora. Mesmo que fosse bem improvável, azarado do jeito que sou, podia muito bem acontecer de o sargento olhar para a minha cara e insistir que eu tenho que servir, só para seu simples prazer em foder uma pessoa aleatória.

Cheguei a ouvir muitas histórias engraçadas dos meus colegas, que iam desde um idiota fumando na fila de apresentação à esporros de sargento em recrutas atrapalhados que estavam varrendo o pátio lá. Mas isso não me fez ficar menos tenso.

Como eu não queria servir de jeito nenhum, fiquei desesperado pensando em como me livrar desta merda. A melhor dica que eu recebi foi para levar um atestado médico dizendo que eu tenho bronquite, rinite, sinusite, faleniladsfhiasfhidocopicozite, etc. E de fato, eu tenho essa porra toda. Menos faleidocopi… ah, essa bosta ae.

Se eu bem me lembro, eu acordei no dia me sentindo um serial killer que estava pronto pra ser fritado vivo numa cadeira elétrica. Sério, a tensão era imensa.

Era pra eu estar lá até as 7 horas em ponto – dizia o papel. Cheguei umas 6:10, por aí. Afinal, não queria chegar atrasado nessa porra,  queria passar por eles o mais invisível possível.

Ao chegar no portão lá do batalhão – que se não me engano era o 15º – o cara na porta me direciona a seguir reto e passar por uma porta lá que dava para o pátio. Ao adentrar o recinto, vejo um monte de marmanjo sentado no chão em uma espécie de fila. Parecia que eu tava no Carandiru.

Assim mesmo, só que de roupa.

O carinha lá pegou meus documentos e então me mandou sentar lá.

Depois de uma meia hora, o sargento alguma coisa lá começou a falar com a gente explicando todas as etapas que nós passaríamos naquele dia. A primeira seria o exame médico, depois o psicológico, e por ai vai. Ele aproveitou também pra dizer que não existem mais criança ali, que todos vão ter que começar a sair da barra da saia da mãe, e que agora qualquer escolha errado que tomemos, sentiremos no próprio lombo. Completando, ele falou que tudo ia começar a partir das 7 horas.

Depois do discurso que ele deve ter ensaiado na frente do espelho de casa, ele saiu de perto e ficou conversando lá com os outros comandantes.

Não se passaram nem 10 minutos do discurso do cara, e de repente passa um homem na frente da fila rebolando e fazendo uma cara de “Ai como eu sou bandida!”. Foi o suficiente pra todo mundo soltar um “Huuuuuuum…”. O sargento não gostou e veio botar ordem : “O que foi? Algum problema? Reconheceram ele de alguma boate que vocês frequentam?”.

Me deu vontade de rir pra caralho.

Depois de um tempo, começaram a se formar as filas pra ir pro exame médico. Chegando minha vez, entrei na sala com um grupo lá e cada um foi para o seu biombo. Tava teoricamente chegando a hora de ficar pelado na frente do cara lá.

De primeira o médico já quebrou o gelo com o pessoal e minha tensão foi indo embora. Ele se apresentou: ” Sou o sargento tal, estou aqui a tal anos e já passei por tudo isso que vocês tão passando. A diferença é que a gente não tinha esses biombos separando a gente, era um monte de homem pelado junto, viado ou não. Era uma pagação de pau do caralho, vocês têm é muita sorte senhores.”

Ai ele já emendou com um “Bem senhores, vão abrindo suas calças, quem tiver sem cueca, se fudeu, foda-se.” . Naquele momento eu o interrompo e digo que tenho bronquite e bah e que eu não poderia servir. Ele me responde com um “Bronquite é problema respiratório não é? Não têm problema, o exército cura meu filho, você vai ver.”

Fodeu. Minha espinha congelou e eu pensei “é isso, me fodi.”. Depois de rir e bah, ele perguntou se eu tinha algum exame comprovando as paradas que eu falei. Saquei então os exames desesperado pra dar pro cara. Ele vai em direção a mesa dele e fala “Chega aí, não precisa nem tirar a roupa”.

Cara, que alívio.

Enquanto examinava meu exame ele perguntou pro resto do grupo: “Mais alguém aí tem um atestado falso pra me entregar?”. Só dei um sorrisinho de canto de boca, morrendo de medo dele estar falando sério.

Após assinar lá um papel me liberando, ele me mandou ficar la fora no pátio esperando, no famoso lado B. O lado B significava que eu já estava liberado dos meus serviços militares. Percebi que fui o primeiro do dia a ser liberado, já que não tinha ninguem lá. Aos poucos foi chegando mais gente, um cara mais maluco que o outro.

Ficamos conversando e percebi que a maioria deles foi liberado assim: “Sargento: – Opa, você quer servir meu filho? ; Recruta: – Nem fudendo!; Sargento: – Então mete o pé que você tá liberado; Recruta: – Então jaé“. Porra, e eu me preocupando se ia ser liberado ou não.

Entre os caras que tinham sido liberados tinha um maluco com cara de pobrezinho, coitado, que ficou ENCHENDO A PORRA DO SACO falando que os caras liberaram ele, mas ele queria servir. Ele ficou o tempo todo falando “Poooo cara, eu queria muito servir e bah”. Não sei que tipo de animal quer servir depois ter sido liberado, mas tudo bem. Depois de uns 20 minutos dele só falando isso, um dos caras fala “Porra cara, se tu quer servir, vai lá dentro e fala com o Sargento, só não fica aqui me torrando a paciência!”

Só sei que ele foi lá dentro e depois voltou direto pra fila do pessoal que ia fazer o resto dos exames. Com um sorriso no rosto, ele acenou pro moleque e falou obrigado. Era como se o demônio tivesse te convencido a vender sua alma por R$1,99 e você ainda ter agradecido pelo grande favor.

Quando foi algo perto de 9 horas, um cara chegou na gente e começou a falar nossos nomes pra ver se estavam todos ali. Ao terminar, falou que já estávamos livres das nossas obrigações militares, e que era só voltar no lugar aonde me alistei pra pegar o Certificado de Reservista.

E assim terminou um dos dias mais tensos da minha vida. Agora só falta a prova da UERJ em dezembro.

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9 Responses to “Me apresentei no quartel”


  1. 1 gohan 08 julho, 2012 às 14:50

    kkkkk vei eu to por me alistar –tenho um atestado espero q me liberem–boa historia kkkkk

  2. 2 Betinholima 06 janeiro, 2013 às 17:43

    Muito Bom Camarada Tanbem Nao Quero Servir e Pah Ajudou Bastante vlw

  3. 3 Jeverson Pedro 10 janeiro, 2013 às 16:05

    Cara , adorei teu post , tirou TOOODAS as minhas dúvias mano.

  4. 4 jean 21 setembro, 2013 às 11:18

    aff tenso de mais mano :/ tenho medo de ficar pelado :/
    kkkk da vergonha vai q meu pau fica pequeno u.u

  5. 5 lks 13 outubro, 2013 às 11:44

    que doido vei,quando fui eu so perguntaram quem queria sevir ai quem nao queria eles tavam mandando embora logo sem fazer exame medico

  6. 6 Matheus 22 fevereiro, 2014 às 18:47

    Tu escreve bem pra caralho cara, devia escrever mais no blog.

    Por sorte você já foi dispensado, eu faço faculdade, estágio, tenho rinite, sinusite, bronquite, caralho-ite e ainda por cima to participando do ciência sem fronteiras pra ir pros USA, e agora vou ir pra última seleção onde serão dispensados 9 de 40 malucos.

    Quando me perguntaram se eu queria servir eu deveria ter falado “Nem fudendo” também kkk, o negócio é esperar semana que vem e torcer pra não ser chamado

  7. 7 Zeca Preto 01 maio, 2014 às 3:08

    Cara, tô com medo de ficar pelado. Não fico nem de cueca. Essa parada vai dar certo? :c

  8. 8 leo 20 setembro, 2014 às 14:37

    Eu me apresentei este ano , então cheguei la um soldado me mostrou a direção, então o sargente pegou meus documentos ai fiquei em uma sala vendo um filme ( chato pra krl kk) fiz o exame médico (o cara era gay ) passei, mais não queria ficar, cheguei na hora da entrevista, ele me peguntou pq eu não queria ficar, passou um tempo de repente ele olhou pro meus olhos e perguntou se eu tinha preguiça, claro que neguei, ai ele perguntou se ja tiver relação com homem eu falei não perguntou mais 2 vezes (dei um pequeno sorriso e falei sou homem) der repente ele gritou esta rindo do que ? baixei a cabeça fiquei quieto não falei mais nada, ai mandou eu voltar em janeiro, desde então estou morrendo de medo de ficar com certeza ele guardou minha cara kk.

  9. 9 Gustavo Moura 31 agosto, 2015 às 19:20

    Velho, eu ri demais!! Mas tirou todas minhas dúvidas, valeu!


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